Espondilite Anquilosante

O que é a Espondilite Anquilosante?

A Espondilite Anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crónica que afecta principalmente as articulações da coluna, que tendem a ser “soldadas” umas às outras, causando uma limitação da mobilidade (daí o termo anquilosante, que vem do grego “Ankylos” e significa soldagem, fusão). O resultado final é uma perda de flexibilidade da coluna vertebral, que se mantém rígida.

É uma doença comum, especialmente na raça caucasiana (0,5-1% da população). Aparece sobretudo em homens entre os 20 e os 30 anos de idade. Nas mulheres, é menos comum e apresenta geralmente uma evolução mais favorável.

A Espondilite Anquilosante aparece como uma doença isolada na maioria dos casos. Porém, em alguns casos, pode estar associada a uma doença chamada psoríase ou a doenças inflamatórias intestinais.

A prevalência da doença é muito variável, entre 10-20 casos/100.000 habitantes, consoante a prevalência do gene HLA-B27 nas populações (1-18%, consoante as raças e as diferentes séries da literatura), já que a doença se associa em 85-95% dos casos ao HLA B27.

Causas

Não é conhecida a causa para a Espondilite Anquilosante (EA). No entanto, nos últimos anos, têm sido feitos progressos na compreensão dos mecanismos que desencadeiam o processo patológico e os potenciais agentes responsáveis.

É conhecida há algum tempo a associação da EA com um antigénio específico, o “antigénio HLA-B27.” A transmissão genética deste antigénio explica que a EA apareça com mais frequência em certas raças e dentro delas, em certas famílias. A posse do antigénio HLA-B27 parece provocar uma resposta anormal da pessoa para a acção de certos microrganismos. É provavelmente a combinação destes dois factores que desencadeia a doença.

Sintomas

Os primeiros sintomas da EA são, muitas vezes, dor nas regiões glúteas ou lombalgia, que são causados por inflamação das articulações sacroilíacas e na coluna vertebral.

Este tipo de dor é do tipo inflamatória, e manifesta-se de forma insidiosa, lenta e gradual, sendo difícil de precisar o momento exacto em que os sintomas começaram. A lombalgia ocorre quando o doente está em repouso, melhorando com a atividade física. Desta forma, a dor é geralmente pior nas últimas horas da noite e de manhã cedo. Quando a pessoa se levanta e inicia a atividade normal, existe alívio ou até mesmo desaparecimento da dor.

Com o tempo, a dor e a rigidez podem evoluir para a coluna dorsal e cervical. As vértebras fundem-se, fazendo com que a coluna perca flexibilidade e se torne rígida, limitando os movimentos.

As costelas também pode ser afetadas, causando a dor e diminuição da expansão do peito na respiração.

A tumefação e a dor também podem ocorrer nas articulações das ancas, ombros, joelhos e tornozelos. Pode haver inflamação dos ligamentos ou tendões, como por exemplo dor no tendão de Aquiles.

A espondilite anquilosante é uma doença sistémica, o que significa que podem ser afetados outros órgãos do corpo. Em algumas pessoas, pode ocorrer febre, perda de apetite, fadiga ou envolvimento de outros órgãos, como pulmões e coração, embora isto aconteça raramente.

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Pode haver uma diminuição da função pulmonar, por diminuição da elasticidade do tórax. Nesse sentido, as pessoas que sofram desta doença devem evitar fumar.

É relativamente comum a inflamação do olho (uveíte), que ocorre em ¼ dos pacientes com EA. A uveíte manifesta-se como dor e vermelhidão dos olhos (“olho vermelho”), exigindo atenção por parte do oftalmologista.

Diagnóstico

O diagnóstico da EA é baseado em sintomas físicos e na observação. Para confirmar o diagnóstico realizado efetuam-se radiografias da bacia e coluna vertebral, para ver as mudanças que ocorreram nas sacroilíacas e nas vértebras.

Contudo, essas alterações radiológicas são geralmente muito tardias em relação ao início dos sintomas, o que torna o diagnóstico precoce difícil e muito dependente da experiência do médico.

As análises na EA não têm geralmente grande utilidade para o diagnóstico, uma vez que só existem alterações em 30-40% dos doentes, sobretudo quando existe envolvimento periférico ou doença extra-articular significativa. Podem, no entanto, ser necessárias para o diagnóstico diferencial.

A realização da tipagem genética para pesquisa do HLA-B27 pode apoiar o diagnóstico, se positivo.

A Espondilite Anquilosante e o antigénio HLA-B27

Apenas uma pequena minoria de pessoas que têm o antigénio HLA-B27 terão a doença, mesmo existindo membros da família com Espondilite Anquilosante. Cerca de 7% da população tem o antigénio HLA-B27. Neste grupo, o risco de desenvolver a doença é de 5%. Isso significa que em cada 1000 pessoas, apenas 70 têm esse antigénio nas suas células e, desses 70, apenas 4 desenvolvem a doença.

O risco de contrair Espondilite Anquilosante é um pouco maior se um membro da família (pai ou irmão) desenvolver a doença, e se a pessoa em questão tiver um teste para o antigénio HLA-B27 positivo. Portanto, o risco de contrair a doença neste caso é de cerca de 20%. Ou seja, para ter a doença, existem outros factores, ainda não são completamente conhecidos, que influenciam o seu aparecimento.

Tratamento

Atualmente, não existe cura para a doença. No entanto, existem vários medicamentos eficazes e técnicas de reabilitação que permitem aliviar a dor e melhorar a mobilidade, possibilitando uma boa qualidade de vida.

Os anti-inflamatórios não-esteróides (AINE) constituem sempre, salvo estejam contra-indicados, a abordagem inicial do tratamento, conseguindo na maioria dos casos reduzir e por vezes mesmo suprimir a inflamação. O controlo da inflamação permite o alívio da dor e da rigidez, permitindo um melhor repouso durante a noite. Podem ser utilizados por períodos prolongados de tempo, com as devidas precauções.

Um dos aspectos mais importantes do tratamento são os exercícios de reabilitação ao nível da coluna vertebral e exercícios respiratórios, de modo a fortalecer os músculos da coluna e evitar a rigidez e perda de mobilidade da própria coluna vertebral.

Em alguns doentes com EA com evolução mais significativa da doença, e quando esta afecta outras articulações além da coluna vertebral, pode ser útil a utilização de fármacos sintomáticos (principalmente antiinflamatórios não hormonais) e de ação lenta ou potencialmente indutores de remissão clínica, como sulfasalazina ou metotrexato, geralmente em associação com os AINE.

Nos últimos anos ficaram ainda disponíveis os chamados “tratamentos biológicos”, que são dirigidos especificamente para os componentes da resposta imunológica que intervêm nesta doença.

Os doentes com envolvimento de articulações periféricas ou tendões podem beneficiar de infiltrações locais com corticosteróides. Os corticóides sistémicos só são benéficos em casos pontuais, pelo que devem ser utilizados de forma criteriosa.

A cirurgia tem um papel limitado no tratamento da EA. Quando existe uma articulação muito danificada, pode então ser necessária uma intervenção cirúrgica; isso acontece com mais frequência ao nível das ancas, com necessidade de colocação de uma prótese articular.

Evolução da Espondilite Anquilosante

A Espondilite Anquilosante é uma doença crónica que tem uma evolução progressiva, por  vezes com surtos de inflamação da coluna vertebral ou de outras articulações, como ombros, ancas, joelhos e tornozelos. Por vezes, entre os surtos de agudização, o paciente fica sem sintomas e mantém uma actividade quotidiana normal. Normalmente com a idade, os surtos tendem a distanciar-se e tornam-se mais ligeiros.

Exercício físico

É recomendada a prática de exercício que envolva extensão da região dorsal, bem como exercícios de mobilização dos ombros e ancas. Desta forma, a natação é o exercício mais adequado no caso da EA, permitindo exercitar, de forma equilibrada, todos os músculos e articulações da região dorsal que podem ser afetados por esta doença.

Devem ser evitados desportos de contacto ou colisão física por risco de lesão óssea ou articular. O golf também não é indicado, devido à postura em flexão do tronco.

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